sexta-feira, 18 de junho de 2010

QUE FAREMOS SEM ESTE LIVRO?

José Saramago era um livro escondido numa ilha; talvez nunca fechado este livro, porque tem o vento a folhear e refolhear as manchas de impressão, páginas de um lado para o outro: uma palmeira com traços a espetar o ar pesado de sal, resquícios de cinzas, vulcão e tesouras (com elas estas aquelas a limar vírgulas e clarezas). Não se veem mais pegadas de elefantes na ilha, só olhares esguios para o que não vai ser dito.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O OLHAR OBLÍQUO DE CLARICE LISPECTOR - DEPOIS DE TUDO

Ministrei o curso. Terminou e foi bom, aquela sensação boa de ter feito e ter se satisfeito; e talvez ter satisfeito. Foram quatro dias de imagens de Clarice, leitura de seus textos (o que se chama verdadeiramente de Apreciação de Arte - proposta do Centro Cultural Banco do Nordeste), audição de seus contos e crônicas e do prólogo de A hora da estrela.

As perguntas foram muitas; as observações também. No centro, a escritura clariceana.

Fiquei feliz por ter falado da escritora brasileira que mais admiro. Parece bobo dizer isso. Que seja: o momento foi de leveza e isso basta.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O OLHAR OBLÍQUO DE CLARICE LISPECTOR - 1º DIA

Estou ministrando um Curso de Apreciação de Arte no Centro Cultural Banco do Nordeste, que tem a ímpar qualidade de receber muito bem os professores-facilitadores, disponibilizando material adequado a uma conversa dinãmica, com recursos os mais diversos. Como se isso não bastasse, encontro um público interessado, atento, ávido por troca de informações e visões de mundo. Encontro alguns rostos conhecidos: ex-alunos, amigos, conhecidos de outros cursos...

É incrível como Clarice desperta o interesse das pessoa pelo diálogo, tentativa de compreensão, fruição deslavada. Neste primeiro dia de curso, com muito prazer, a figura da escritora ressalta acima de tudo. Livros e fotos. Escritos e falas. a participação das pessoas me instiga a falar mais. Clarice provoca alguns, deslumbra outros, propõe estranhezas, deixa vislumbrar sentidos.

Falamos de livros, de personagens, de situações, de sentimentos... das coisas que Clarice reverberava em seus papéis, das coisas que ela mostrava e escondia em romances, contos, crônicas, entrevistas e trechos de colunas femininas. Os espantos comparecem, mas Clarice não se importa: sentir é mais urgente do que entender, ela diria. O entendimento fica para depois, quando quisermos ou quando o objeto quiser ser compreendido por nós.

Fotos, poses, posturas e interações. Neste primeiro dia de curso, fizemos um passeio pela escrita clariceana, tentando ver que aquela escrita seduz e marca, para sempre, a maneira como lemos as coisas.


domingo, 9 de maio de 2010

O OLHAR OBLÍQUO DE CLARICE LISPECTOR





O OLHAR OBLÍQUO DE CLARICE LISPECTOR

O curso “O olhar oblíquo de Clarice Lispector” se propõe a mostrar aspectos da obra dessa escritora, na passagem de seus 90 anos de nascimento (que se completarão em dezembro de 2010), objetivando não apenas homenageá-la, mas também acender algumas discussões sobre como ela via alguns aspectos da realidade brasileira, olhar esse fixado em romances, contos e crônicas. Além disso, é objetivo do curso tecer uma visão panorâmica da produção da escritora a partir das recentes publicações de uma parte heterodoxa de sua obra: entrevistas, colunas femininas, cartas, entre outros.

Os objetivos específicos do curso são: estabelecer um panorama da atuação escritural de Clarice Lispector; sensibilizar o público para a poética estabelecida pela escritora em suas obras; mostrar exemplos da obra clariceana (coletados em seus mais diversos gêneros) que incitem a conhecer cada vez mais a obra da escritora.

CONTEÚDO:

1º dia: Panorama da obra de Clarice Lispector a partir dos gêneros: uma escritura e o olhar sobre o mundo.

2º dia: O olhar sobre a mulher através de contos e crônicas.

3º dia: O olhar sobre os problemas sociais do país através de crônicas, entrevistas e cartas.

4º dia: O olhar encantado sobre a criança através de contos e literatura infantil. Os diversos outros olhares da escritora.

FACILITADOR: Miguel Leocádio Araújo Neto


LOCAL: Centro Cultural Banco do Nordeste (Floriano Peixoto, esquina com Rua Pedro I)


HORÁRIO: das 15 às 18 horas


GRATUITO


sábado, 23 de janeiro de 2010

MEIO-DIA: ALGUNA POESÍA DE FORTALEZA

Hoje é sábado; e chegou às minhas mãos (ainda bem!) a coletânea Meio-dia: alguna poesía de Fortaleza, editada em 2009, pelas Ediciones Vox (Argentina), com a chancela da Prefeitura Municipal de Fortaleza, sob os auspícios do Edital de Incentivo à Literatura da SECULTFOR, organizada por Diego Vinhas. A situação não poderia ser mais auspiciosa: um café com Mariana Marques e Carlos Augusto Lima, entre conversas sobre a vida, a literatura, a arte, consciência do corpo e a cidade, sempre a cidade. Solar, como sempre diz a Fernanda Meireles, sobretudo ao meio-dia, o que me dá o mote para falar do livro, que só comecei a ler, e só comecei mesmo. Mas alguém deve estar pensando: e toda essa linguagem formal: “chegou ás minhas mãos”, “com a chancela”, “sob os auspícios”, “auspiciosa” (meio imitada de novela barata)... Bom, queria reescrever um livro que me mobilizou de forma solene, nem sei explicar direito por que, mas depois talvez até consiga. A verdade é que escondi totalmente minha empolgação na hora do recebimento do livro, Carlos Augusto bem sabe, provavelmente. É que li recentemente num trecho escrito por Ferdinand Baldenspenger (um dos solos da literatura comparada) que um pesquisador que se preze tem que observar as coisas e observar as coisas. Sim. Porque quando ele olha apaixonadamente para as coisas compromete o objeto observado, enche-o de auras, de esplendores e de auréolas que, incandescentes que são, acabam por turvar a vista. E como é meio-dia, melhor não se mostrar tanto. Mas quando eu estou aqui sozinho, com um livro na mão, a atitude é diversa. Primeiro, olhar, folhear, passar as páginas uma a uma, conferi-las rapidamente, para enxergar o que há ali de palavra e o que há ali de visual que a palavra pode ter. Impressões iniciais. Depois, ver com as mãos e com os olhos. Constatar que ali estão algumas pessoas e alguma cidade e alguma poesia NA/DA/SOBRE A/CONTRA A/ ATRAVÉS DA/COM A cidade. Mas a cidade se desdobra. Alguns diriam: se desdobra numa dobra. Mas não terminei de ler a filosofia contemporânea, nem me confrontei decentemente com esquizoanálise. Então passo a ler. Primeiro a apresentação de Diego Vinhas, cujo nome me sugere a origem da embriaguez, seus primórdios e seus emaranhados. Veja só: “O que pode ter de significativo ou bobagem, uma querida bobagem, em tentar, a partir de algumas pessoas, amigas, provocar um mínimo de tensão [desejável para mim], de fazer uma cidade [uma primeira ambiguidade que eu também desejaria para mim mesmo], por pequenos mundos dela (as mesmas pessoas amigas), pensar em si, olhar seus próprios desvios, seus baldios, para um gesto de movimento.” Diego Vinhas me dá a possibilidade, então, de pensar a poesia contemporânea produzida por aqui da maneira que eu gostaria, alguns mundos juntos, num só suporte, numa só trama, numa mesma materialidade. E aí me empolgo mais e penso na minha dificuldade de aceder ao coletivismo, dificuldade própria da minha natureza pétrea. Mas, como se isso não bastasse, para alguém que se pretende pesquisador, ainda lança uma respiração a mais: “Meio-dia sublinha o corpo, anula a sombra.” O corpo. A sombra anulada, desfeita, impossível de ser vista, mas que existe como signo; e tudo o mais. Imagens que têm muito a ver com a natureza da literatura produzida agora, já, hoje e possivelmente no tempo próximo; impressão minha. Com corpo e lacunas, sinais pensados, partilhados, complexos, afirmando (o que os poetas dizem? E a resposta é: dizem agora). Não vou falar agora o que penso, nem é necessário. Leio na ordem dada por Diego Vinhas, porque me pareceu um organizador organizado. Ainda estou fazendo anotações aos poemas de Henrique Dídimo. Depois eu falo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

QUINTAN(ARES) DA CRIAÇÃO

Estes últimos dias, estudando para dois concursos, me peguei relendo poemas de Mário Quintana, e lembrei que havia escrito um artigo pequeno para o Jornal O Povo, em julho de 2006. Daí fui reler o texto, fiz algumas modificações e coloco-o aqui, em forma de homenagem, incapaz que sou de ser poeta e preguiçoso que tenho estado para escrever coisa nova.




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Na primeira estrofe do poema que abre o livro de estréia de Mario Quintana, Rua dos cataventos, encontramos versos cujo conteúdo poderia servir de pórtico principal para o entendimento de parte de sua produção:
“Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!”
Apesar de um certo perfume tradicionalista para um poeta que estreava em livro no ano de 1940 (quando as sucessivas revoluções do Modernismo já iam longe), de qualquer modo, lembrar estes versos é chamar a atenção para o fato de que o poeta, em toda a sua extensa obra, deixou textos que expõem os deslumbramentos e os impasses de quem escreve, muitas vezes representando a situação do criador diante da produção de seus textos.



Do pórtico principal, a produção de metapoemas, que atravessa toda a trajetória de Quintana, pode ser tomada como uma sala de estar, na qual o leitor se ambienta com os mistérios da criação poética, suas seduções e seus modos de existir. É neste lugar que este leitor pode ser convidado a conhecer outras partes do edifício lírico construído ao longo de mais de 50 anos de vida literária, além de constatar que mesmo as agruras do ato de poetar (“Uma palavra só / Pode tudo perder para sempre...”) transformam-se em motivo para uma comunicação intelectual e afetiva com os leitores, como ele deixa claro num fragmento de Sapato florido: “O Poeta, para entrar em contato com outros homens, põe-se a fazer poemas.” Tal idéia revela a consciência das funções da literatura e da leitura. E ele soube explorá-la (esta consciência) como uma das vertentes importantes de sua obra, em consonância inclusive com a tendência da lírica no século XX de pensar a criação poética ou de problematizá-la: a metalinguagem passa a ser uma conquista legítima dos criadores (não apenas uma possibilidade lírica entre outras que um autor poderia ou não escolher), cada vez mais preocupados com o poema, enquanto artefato que incorpora uma compreensão emotiva da existência. Mario Quintana entre eles.
Mas Quintana amplia essa dimensão para um entendimento prático do processo de contato entre leitor e poema, talvez por causa de seus longos anos de trabalho junto à editora Globo, de Porto Alegre, onde começou como desempacotador da seção de livros estrangeiros para chegar a ser um de seus mais ilustres tradutores, além de ter editado ali a maioria de seus livros.
Em outro trecho de Sapato florido, o poeta fala dos livros de poesia, que "devem ter margens largas e muitas páginas impressas, para que as crianças possam enchê-las de desenhos (...) que passarão também a fazer parte dos poemas..." Ao mesmo tempo em que demonstra conhecer o papel da materialidade dos livros de poesia, sugere uma apresentação da página que possibilite a intervenção mais efetiva do leitor no texto, renovando uma idéia acerca da comunicação poética: poeta e leitor, por atuações diferenciadas, podem produzir um mesmo texto, pois converge-se para um só objetivo, o jogo lírico entre entender e sentir.
Vale a pena lembrar os diálogos que Mario Quintana estabelece com outras linguagens e outros autores. No primeiro caso, a música ressalta como uma preferência não só no nível formal, mas também no temático: há poemas que se referem a canções, noturnos, cânticos, sonatas, jazz... Já no segundo, temos as constantes intertextualidades com os autores de sua convivência, inclusive os estrangeiros. Este último aspecto se conjuga bem com a já anunciada atividade de tradutor. Entre os muitos que verteu para o português, estão Balzac, Maupassant, Proust, Virginia Woolf, Aldous Huxley...
É certo que muitos escritores de sua geração recorreram a este trabalho não por diletantismo, mas pela necessidade, já que viver de direitos autorais sobre livros de poesia já era algo pouco crível naquela época. Sobre isso Quintana também escreveu, demonstrando de novo uma consciência de que o fazer poético passa por estas questões. Em “Pequena tragédia brasileira” (de Caderno H), o poeta ironiza: “A Bem-Amada queria devorar o coração do poeta. - Não, disse ele - só terás um pedacinho... Porque noventa por cento pertence aos editores.”
O poema, os leitores, os livros, as páginas, os editores e os valores implicados no universo da criação, nada disso escapou à lírica de Quintana; são temas construídos numa mesma base: como se dá ares à criação? Como ela acontece e se estabelece no trânsito entre autor, textos e leitores? O poeta metaforizou sobre isso, algumas vezes com uma irônica crueldade, como nos versos finais de “O poema”, de O aprendiz de feiticeiro, em que brada: “Para bem das águas e das almas/ Assassinemos o poeta.” Para os leitores de Quintana, isso é impossível e indesejável: uma vez tendo passado pelo pórtico principal e pela sala de estar, permanecemos em seu edifício poético e dele tomamos posse, junto com o poeta que vive.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ENTREVISTA NO BLOG DA EDIÇÕES DEMÓCRITO ROCHA

No blog da Edições Demócrito Rocha, o jornalista Henrique Araújo (não, ele não é meu parente) publicou uma entrevista sobre a materialidade dos livros, tema que interessa enormemente, sobretudo quando se fala que o livro está em vias de ser definitivamente sepultado pelas caixinhas eletrônicas que acumulam palavras de não sei quantos mil autores. Não pedi autorização nem ao Henrique, nem à Fundação, mas a entrevista está aqui.

AS CURVAS DO LIVRO

Alguém aqui compra livro porque, de passagem por alguma estante abarrotada de títulos, se sentiu atraído por aquele de capa vermelha e letras em alto relevo? Ou, entre os volumes espalhafatosos empilhados na entrada da loja, gostou daquele de designer sóbrio, num preto fosco e letras pequenas? Antigamente, uma resposta positiva a essas perguntas seria acompanhada de leve porção de vergonha. Afinal, foi-se o tempo em que o corpo do livro, seu suporte físico, era aspecto subestimado.
Para o professor de literatura e pesquisador Miguel Leocádio, hoje as editoras têm tanto cuidado com a “materialidade do livro” quanto com o seu conteúdo. Mesmo as pequenas casas editoriais vêm investindo bastante no desenho gráfico dos livros. Como exemplo, ele cita as editoras Cosac Naify e Demócrito Rocha. Em entrevista ao blog, Miguel explica por que a materialidade é importante. Longe de constituir um dado irrelevante da equação que descreve o interesse pela leitura, é ela a grande responsável pela atração primeira, desempenhando uma função que posteriormente ficará inteiramente a cargo da palavra: a de seduzir constantemente o leitor. (Henrique Araújo)
Como esse corpo físico do livro se relaciona com as ideias que ele transporta?
Miguel Leocádio Araújo – Em geral, esse corpo físico (que em geral chamo de “materialidade dos livros”) pode ou não se relacionar com as ideias, mas quando ocorre uma associação, desde que bem realizada, acaba sendo um elemento a mais para atrair ou instigar o leitor. Um exemplo disso é o projeto gráfico de Suzana Paz para o livro Vende-se uma família, de Socorro Acióli (Edições Demócrito Rocha, 2007). O livro foi projetado de tal forma que o leitor tem a impressão de estar com um objeto antigo em suas mãos; e esse tipo de associação não vem apenas pela história em si, mas também pela coloração do papel, pelo estilo das ilustrações e pela capa, elementos que servem de complemento à trama, que se passa no século XIX. Por outro lado, há materialidades que se distanciam das ideias veiculadas pelo livro, mas permanecem atraentes, pelo cuidado com que são tratadas pelos profissionais que trabalham no processo de elaboração do produto. Portanto, uma materialidade que é criada para valorizar um texto em livro depende da sensibilidade e do envolvimento do profissional com as ideias do autor, mesmo que para se distanciar delas.
Como se define a materialidade de um livro?
Miguel – A partir da necessidade de colocar um produto no mercado que tenha capacidade de seduzir um leitor também por meio de sua conformação concreta. Aquela ideia de que um livro muito bem cuidado é artefato para bibliófilos ou para colecionadores de livros de arte já foi superada. Aliás, num tempo em que os textos e as idéias ganharam o espaço virtual, a indústria do livro tem repensado as maneiras de oferecer seus produtos aos consumidores, o que não é novo, pois tem dependido muito dos avanços tecnológicos no campo da impressão, na fabricação de papel, no uso de pigmentos e materiais diversos (e, em alguns casos, inusitados). Quando se lança um material novo que pode ser aproveitado em objetos impressos, experimenta-se, a título de novidade, posteriormente tornando-se algo generalizado na indústria do livro. O que me interessa especialmente é a maneira como as profissionais das artes gráficas encontram soluções as mais diversas para tornar o livro uma experiência completa: visual e tátil, prazerosa de ler, ver e tocar.
Esse aspecto já foi um dia subestimado?
Miguel – Sim, isso já foi muito subestimado e, em muitos casos, ainda é. Quanto mais simples e com menos recursos se fabrica um livro, mas barato ele se torna, em tese, embora isso não diminua o valor do texto que ele contém. Dou como exemplo as editoras francesas Éditions des Femmes, Tel, Gallimard ou Les Éditions de Minuit, bem como as almãs Reclam ou Suhrkamp, que têm coleções inteiras com pouquíssimas ilustrações (ou nenhuma), em geral apenas na capa, usam papel barato (muitas vezes, assemelhando-se ao papel jornal), já que têm como carro-chefe de sua produção os livros de bolso. Mas isso ocorre porque o público dessas editoras é cativo, o que garante as vendas, sem maiores necessidades de investimentos em atrativos gráficos, o que não quer dizer que não existam nesses países editoras que tenham uma enorme preocupação com a materialidade dos livros e suas inovações.
Hoje, que importância tem?
Miguel – Hoje a importância da materialidade é enorme. Há autores que se envolvem no processo de “formatação” gráfica do livro. No caso, por exemplo, dos livros destinados ao público infanto-juvenil, os investimentos são altos, fixando cada vez mais a ideia de um livro de texto bom e de apresentação gráfica atraente. Afinal de contas, um livro é um objeto com o qual as crianças podem passar muitas horas, quer seja por ser um paradidático adotado por uma escola, quer seja por prazer de ler mesmo; logo, quanto mais prazeroso for estar com um livro em mãos, mais o texto a ser lido ganha. É claro que esses investimentos extrapolam o universo da literatura infanto-juvenil. É possível encontrar hoje até livros acadêmicos com uma apresentação gráfica primorosa.
Dê exemplos de obras que se destacam nesse campo.
Miguel – Os livros da Cosac Naify, em geral, são exemplares nesse sentido. A coleção Fábrica de Leitores das Edições Demócrito Rocha é primorosa, bem como os livros de poesia infantil da gaúcha Editora Projeto também são muito bonitos. Ultimamente, no Ceará, tenho percebido uma preocupação dos autores com a materialidade do livro. Eu destacaria a novela de Mariana Marques, Transatlântico, pela editora La Barca; o livro “triplo” de Júlio Lira, que envolve três gêneros diferentes (conto, poesia e crônica), num projeto gráfico absolutamente inovador, que você manipula meio de maneira muito lúdica, virando a posição do objeto, para poder iniciar a leitura de cada um dos três livros contidos num mesmo artefato.
Visite o blog das Edições Demócrito Rocha AQUI.